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TCU aponta piora na espera por cirurgia de câncer no SUS

TCU aponta piora na espera por cirurgia de câncer no SUS

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que aumentou a espera por cirurgias de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025. Em quase dois terços dos tipos de cirurgia oncológica, pelo menos um quarto dos pacientes aguardou além do prazo de 60 dias estabelecido por lei para o início do tratamento.

A fiscalização analisou dados de 2019 a 2025 extraídos da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Segundo o TCU, a espera em 2025 atingiu o pior nível desde 2022, primeiro ano considerado comparável, já que o período de 2019 a 2021 teve cobertura baixa por causa da pandemia.

Os auditores afirmam que, mesmo com a ampliação da base de 12 para 30 tipos de procedimento monitorados, a proporção de filas fora do prazo cresceu. Em um quinto dos procedimentos, a espera mediana já ultrapassa o prazo legal, o que indica um problema estrutural.

A oncologia é um dos seis eixos analisados pela auditoria, que inclui também cardiologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia e ginecologia. O câncer aparece como o recorte mais crítico: a fatia de procedimentos oncológicos com espera acima do prazo legal cresce ano a ano, enquanto outras especialidades mostram melhora.

A cirurgia de câncer de tireoide é o caso mais delicado, seguido por próstata e mama. A média de espera pela tireoidectomia chegou a 1.121 dias em 2022, caiu para 421 em 2023, teve queda para 75 em 2024 e voltou a subir para 719 em 2025. O TCU classifica essa oscilação como “sem tendência definida de melhora”.

O cirurgião Luiz Paulo Kowalski, professor da USP e líder do centro de referência em tumores de cabeça e pescoço do AC Camargo Cancer Center, afirma que o gargalo está ligado ao aumento da incidência do tumor, à má distribuição de centros especializados e ao financiamento insuficiente. Entre 2014 e 2024, os diagnósticos anuais de câncer de tireoide no Brasil passaram de cerca de 9.000 para mais de 16 mil.

Nas cirurgias de próstata, a média de espera caiu de 487 dias em 2020 para 57,5 em 2025, mas o tempo máximo para os casos mais críticos saltou de 625 para 2.365 dias (mais de seis anos). Na cirurgia parcial de mama, a mediana passou de 140 para 452 dias entre 2019 e 2021.

Segundo gestores ouvidos pela auditoria, o gargalo se acumula ao longo do percurso, que inclui diagnóstico, estadiamento, definição da conduta, tratamento e acompanhamento. Cada fase depende de estrutura concentrada em poucos centros habilitados. O relatório cita a desigualdade de acesso a exames de imagem: o Brasil tem 1,69 aparelho de ressonância e 3,38 tomógrafos por 100 mil habitantes, e o acesso à ressonância é 13 vezes maior para quem tem plano de saúde.

A auditoria identificou disparidades regionais na assistência oncológica. Os cinco estados que concentram 55% da produção cirúrgica do país, como São Paulo e Rio Grande do Sul, têm cobertura no sistema nacional de regulação inferior a 1%.

O relator Bruno Dantas classificou a situação oncológica como “crítica” e determinou que o Ministério da Saúde divulgue periodicamente os tempos de espera. O secretário de Atenção Especializada, Mozart Sales, reconheceu que o câncer é um dos maiores desafios da pasta e afirmou que o governo já identificou os gargalos e reformula a linha de cuidado oncológico.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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