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Santos reconhece dívida de R$ 90,5 milhões com Neymar

Santos reconhece dívida de R$ 90,5 milhões com Neymar

O Santos reconheceu uma dívida de R$ 90,5 milhões com a NR Sports, empresa que administra os direitos de imagem do jogador Neymar. O valor está registrado no quinto aditamento do contrato entre as partes, assinado em 6 de abril de 2026. O documento foi obtido pela reportagem.

O contrato mantém o CT Meninos da Vila, centro de treinamento das categorias de base do clube, como garantia. O aditamento também retirou cláusulas que previam o pagamento imediato da dívida caso o atual presidente, Marcelo Teixeira, não fosse reeleito em dezembro ou se o clube se tornasse uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

O documento é assinado pelo presidente do Santos, Marcelo Teixeira, pelo vice-presidente Fernando Bonavides e por Altamiro Lopes Bezerra, diretor financeiro da NR Sports.

Procurada, a NR Sports informou que não vai se manifestar sobre o contrato. O Santos também foi questionado sobre o aditamento, o valor transferido, o novo cronograma de pagamentos e a submissão da garantia ao Conselho Deliberativo. O clube preferiu não comentar, citando o compromisso de confidencialidade previsto no contrato.

Dos R$ 90,5 milhões reconhecidos pelo Santos, R$ 26 milhões são de obrigações já vencidas. Os outros R$ 64,5 milhões são o saldo a vencer. O aditamento determinou que os 2 milhões de euros que o clube tinha a receber do Shakhtar Donetsk, pela venda do atacante Luca Meirelles, fossem usados para amortizar o passivo vencido.

Pelo contrato, o Santos teria 24 horas para repassar o valor à NR Sports após receber os recursos. Em caso de atraso, a multa é de 4% sobre o total da dívida. Na quarta-feira (22), o Santos informou que fez o pagamento à empresa de Neymar, em um valor de aproximadamente R$ 11 milhões.

A conversão de 2 milhões de euros corresponde a cerca de R$ 11,6 milhões, mas o valor pode variar conforme a taxa de câmbio usada na operação. Com esse pagamento, o saldo devedor cairia para aproximadamente R$ 79,9 milhões.

O quinto aditamento estabelece que o valor restante será pago em parcelas mensais de R$ 1 milhão, a partir de janeiro de 2027, sem correção monetária, juros ou multa. O documento não informa o número total de parcelas nem a data para quitação da dívida, deixando o cronograma indefinido.

Como as parcelas começam em janeiro de 2027, a maior parte da dívida será transferida para a próxima gestão do Santos, que assumirá após as eleições presidenciais de 2026.

O novo contrato mantém o CT Meninos da Vila como garantia real. O documento determina que qualquer restrição sobre o imóvel, como hipoteca ou alienação fiduciária, só pode ser feita com autorização do Conselho Deliberativo. Pelo estatuto do Santos, a reunião precisa de pelo menos metade dos conselheiros presentes e aprovação de dois terços dos membros. O clube não informou se essa reunião foi realizada ou está prevista.

A dívida já havia sido repactuada em 30 de dezembro de 2025. Naquele acordo, os R$ 26 milhões vencidos seriam pagos em cinco parcelas mensais de R$ 5,2 milhões, entre janeiro e maio de 2026. Os R$ 64,5 milhões restantes seriam quitados em 43 parcelas de R$ 1,5 milhão, com correção pelo IPCA/FGV, com último vencimento em 30 de dezembro de 2029.

O acordo anterior também previa vencimento antecipado da dívida em caso de não reeleição de Marcelo Teixeira ou transformação do clube em SAF. A multa diária de 1% do saldo devedor, caso a garantia sobre o CT não fosse formalizada, foi retirada no quinto aditamento, assinado três meses depois.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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