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Os filmes de Scorsese que todo cinéfilo precisa assistir

Os filmes de Scorsese que todo cinéfilo precisa assistir

Uma seleção para atravessar décadas de cinema e descobrir por que Os filmes de Scorsese que todo cinéfilo precisa assistir continuam tão vivos

Há filmes que terminam, sobem os créditos e ainda ficam rondando a cabeça enquanto a gente lava a louça ou prepara um café. O cinema de Martin Scorsese costuma fazer isso. Ele deixa na memória o som de uma música, o brilho úmido de uma rua à noite, uma expressão atravessada e aquela sensação de que acabamos de acompanhar alguém por um caminho sem volta.

Os filmes de Scorsese que todo cinéfilo precisa assistir formam uma coleção variada, cheia de personagens inquietos, ambição, culpa, fé, amizade e desejo de pertencimento. Não é preciso conhecer toda a história do diretor para começar. Basta escolher uma porta de entrada e deixar que o ritmo, os rostos e as escolhas dos personagens conduzam a sessão.

A seguir, reunimos títulos marcantes de diferentes fases da carreira, com um breve olhar sobre o que observar em cada um. A ideia é montar uma pequena jornada cinematográfica para curtir em uma noite tranquila, com a luz baixa e alguma coisa crocante por perto.

Os filmes de Scorsese que todo cinéfilo precisa assistir em uma boa ordem

Uma filmografia tão extensa pode causar aquela dúvida diante do catálogo: por onde começar? Uma ordem cronológica ajuda a perceber como o diretor foi refinando seus temas, mas também é possível organizar a sessão pelo tipo de experiência que você deseja ter.

  • Para começar: Os Bons Companheiros apresenta o ritmo acelerado, o humor ácido e a energia que fizeram Scorsese ser reconhecido por tantas gerações.
  • Para uma noite mais tensa: Taxi Driver e Ilha do Medo conduzem a personagens presos em pensamentos cada vez mais difíceis de abandonar.
  • Para observar a atuação: Touro Indomável e O Aviador mostram protagonistas consumidos pelo próprio temperamento.
  • Para uma sessão contemplativa: Silêncio convida a olhar com calma para fé, dúvida e resistência.

Essa divisão não é uma regra, claro. Cinema também combina com humor de última hora. Às vezes, a melhor escolha é justamente trocar uma narrativa densa por Depois de Horas, uma aventura urbana nervosa e estranhamente engraçada.

Taxi Driver e Touro Indomável, dois retratos de homens em conflito

Taxi Driver

Em Taxi Driver, Nova York aparece molhada, barulhenta e quase febril. Travis Bickle dirige pelas madrugadas enquanto observa a cidade passar pelas janelas do táxi. A solidão dele não é silenciosa: ela cresce em comentários, diários, espelhos e pequenos gestos que revelam um homem cada vez mais distante da vida comum.

O filme merece atenção pela atmosfera, mas também pelo trabalho de câmera e pela trilha sonora de Bernard Herrmann. As ruas parecem respirar junto com o personagem, criando uma tensão que não depende apenas de cenas de ação. É um bom ponto de partida para entender como Scorsese transforma uma cidade em personagem.

Touro Indomável

Touro Indomável acompanha o boxeador Jake LaMotta, interpretado por Robert De Niro, em uma narrativa marcada por força física e desgaste emocional. O ringue ocupa espaço importante, mas o centro do filme está nos relacionamentos, no ciúme e na dificuldade de Jake em lidar com a própria vulnerabilidade.

O preto e branco dá às lutas uma aparência quase áspera, enquanto os momentos fora do ringue revelam um homem que não sabe relaxar nem quando a música toca. Repare no contraste entre o corpo preparado para a disputa e a vida pessoal que vai perdendo equilíbrio aos poucos.

Os Bons Companheiros e Cassino, o brilho perigoso do poder

Os Bons Companheiros

Os Bons Companheiros é um daqueles títulos que fazem duas horas e meia passarem com uma velocidade suspeita. Acompanhamos Henry Hill desde a adolescência, quando ele se aproxima do mundo da máfia e passa a admirar carros, roupas, restaurantes e a sensação de ser reconhecido na rua.

O filme tem cortes ágeis, narração, canções marcantes e uma montagem que transforma cada subida na hierarquia em uma espécie de festa. Só que a festa vai ficando barulhenta demais. A sedução do estilo de vida é apresentada lado a lado com a paranoia e a violência, sem que o espectador possa esquecer o preço daquela escolha.

Cassino

Se Os Bons Companheiros pulsa como uma conversa acelerada, Cassino se espalha como uma cidade iluminada no deserto. Las Vegas ganha cores fortes, tapetes chamativos e salas onde o dinheiro parece circular sem nunca parar. No centro estão Sam Rothstein, Nicky Santoro e Ginger McKenna, ligados por negócios, amizade e desconfiança.

O filme chama atenção pela maneira como Scorsese mostra sistemas de poder em funcionamento. Há pessoas contando cartas, controlando mesas, observando telas e calculando riscos. Por trás do brilho, o diretor constrói uma história sobre controle, vaidade e relações que começam como parceria, mas terminam em disputa.

Para organizar uma noite de cinema com títulos desse tipo, vale conferir uma programação de teste grátis IPTV Smart TV e separar alguns filmes para assistir em diferentes dias. Assim, a sessão não precisa virar maratona e cada obra pode respirar um pouco.

O Rei da Comédia e Depois de Horas, quando o humor fica desconfortável

O Rei da Comédia

Em O Rei da Comédia, Rupert Pupkin quer ser famoso e acredita que o reconhecimento está a uma aparição de distância. Ele aborda o apresentador Jerry Langford com a confiança de quem já se imagina diante das câmeras, embora o mundo ao redor não compartilhe da mesma certeza.

O filme trabalha uma situação engraçada até o ponto em que o riso começa a escapar pelos dedos. Robert De Niro interpreta Rupert com um entusiasmo desconcertante, misturando ingenuidade, insistência e uma carência que se torna cada vez mais difícil de ignorar. É uma história sobre fama, fantasia e a fronteira delicada entre admiração e obsessão.

Depois de Horas

Depois de Horas acompanha uma noite improvável na vida de Paul Hackett, um homem comum que aceita um encontro no centro de Manhattan. A partir daí, a cidade parece fechar todas as portas e abrir apenas aquelas que levam a novas confusões.

O ritmo é rápido, mas a graça nasce do desconforto. Cada personagem surge com uma energia peculiar, cada rua parece mais estranha que a anterior e até um simples retorno para casa se transforma em tarefa complicada. É uma ótima escolha para quem quer conhecer um Scorsese mais leve, porém ainda atento ao lado absurdo da vida urbana.

Gangues de Nova York e O Aviador, ambição em cenários grandiosos

Gangues de Nova York

Gangues de Nova York leva o espectador ao século XIX para acompanhar conflitos de identidade, vingança e disputa pelo controle de uma cidade em crescimento. O cenário tem ruas enlameadas, roupas pesadas, bandeiras, fumaça e uma multidão que parece estar sempre a caminho de alguma revolta.

Daniel Day-Lewis, como Bill The Butcher, cria uma presença difícil de esquecer. Já Amsterdam Vallon, interpretado por Leonardo DiCaprio, atravessa a história guiado por uma promessa antiga. O filme pode ser visto como uma aventura histórica, mas também funciona como retrato de um lugar tentando descobrir quem deseja se tornar.

O Aviador

O Aviador acompanha Howard Hughes em sua busca por velocidade, cinema e reconhecimento. Aviões, hangares, estúdios e festas compõem um mundo de grande escala, mas a narrativa se aproxima do personagem quando a ambição começa a se misturar com medo e isolamento.

A fotografia e o desenho de produção ajudam a criar uma viagem visual por diferentes períodos. Mais do que observar grandes projetos, vale acompanhar a transformação íntima de Hughes. O brilho das máquinas contrasta com os corredores fechados da mente, onde pequenas preocupações ganham proporções enormes.

Os Infiltrados e Ilha do Medo, tensão em cada silêncio

Os Infiltrados

Os Infiltrados traz policiais, criminosos e identidades escondidas em uma trama que exige atenção aos detalhes. Billy Costigan entra no grupo de Frank Costello, enquanto Colin Sullivan constrói uma carreira dentro da polícia sem revelar suas ligações perigosas.

O filme tem diálogos afiados, mudanças de lealdade e uma sensação persistente de que alguém está prestes a ser descoberto. O elenco reúne Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson e Mark Wahlberg em atuações que dão diferentes tons à história. É uma escolha envolvente para quem gosta de suspense policial com personagens cheios de contradições.

Ilha do Medo

Em Ilha do Medo, o investigador Teddy Daniels chega a um hospital psiquiátrico instalado em uma ilha isolada. Uma paciente desapareceu, o vento sopra forte e a paisagem parece esconder algo atrás de cada porta. Aos poucos, a investigação se torna também uma viagem pela memória do protagonista.

A fotografia acinzentada, os corredores e a música ajudam a criar uma atmosfera pesada, quase como um sonho que insiste em não terminar. O filme pede uma segunda sessão para perceber pistas espalhadas em gestos, diálogos e imagens. Se você gosta de histórias com camadas, este título pode render uma conversa longa depois dos créditos.

Silêncio e A Última Tentação de Cristo, fé, dúvida e escolhas

Scorsese também dedicou parte importante de sua filmografia a personagens que atravessam crises espirituais. Em Silêncio, dois padres jesuítas viajam ao Japão em busca de um mentor desaparecido e encontram uma sociedade marcada por perseguição, medo e resistência.

O ritmo mais calmo deixa espaço para o som da água, do vento e dos passos sobre a terra. A ausência de respostas fáceis é justamente o que torna a experiência tão forte. O filme convida a pensar sobre convicção, sacrifício e a maneira como cada pessoa lida com o silêncio diante do sofrimento.

A Última Tentação de Cristo também merece lugar nessa conversa. A obra apresenta uma visão humana e inquieta de Jesus, concentrando-se em conflitos internos e escolhas difíceis. Willem Dafoe conduz o personagem com delicadeza e tensão, enquanto a direção evita tratar a fé como algo distante da dúvida.

Como escolher o próximo filme de Scorsese

Com tantos estilos reunidos, a escolha pode seguir o humor do dia. Uma pequena lista ajuda a evitar aquela procura interminável pelo controle remoto, que às vezes já merece um filme próprio.

  1. Observe o seu ritmo: se a noite pede energia, escolha Os Bons Companheiros ou Os Infiltrados. Para uma sessão mais reflexiva, fique com Silêncio ou Touro Indomável.
  2. Escolha um tema: ambição aparece com força em O Aviador, enquanto solidão e identidade atravessam Taxi Driver e Ilha do Medo.
  3. Preste atenção ao som: as canções, os ruídos da cidade e os silêncios ajudam a construir o estado emocional de cada obra.
  4. Deixe espaço para conversar: depois do filme, anote uma cena marcante ou compartilhe a impressão com alguém. Às vezes, a melhor parte chega quando a tela já está escura.

Para acompanhar outras sugestões culturais e encontrar novas ideias de sessão, você também pode visitar a seleção de notícias culturais. Uma boa indicação costuma aparecer quando a gente menos espera, entre uma lembrança antiga e uma vontade repentina de rever um filme.

Uma filmografia para rever sem pressa

Martin Scorsese construiu personagens que ficam na memória porque raramente são simples. Eles desejam muito, erram bastante, escondem fragilidades e tentam encontrar algum lugar no mundo. Seus filmes também mudam de temperatura: podem ser barulhentos, contemplativos, engraçados ou sombrios, muitas vezes dentro da mesma história.

Os filmes de Scorsese que todo cinéfilo precisa assistir passam por Taxi Driver, Touro Indomável, Os Bons Companheiros, Cassino, Depois de Horas, O Rei da Comédia, Os Infiltrados, Ilha do Medo, O Aviador, Gangues de Nova York e Silêncio. Escolha um deles para hoje, prepare algo para beliscar e deixe a sessão seguir no próprio compasso.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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