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GPA tem queda de 9,6% na receita e cita falta de produtos

GPA tem queda de 9,6% na receita e cita falta de produtos

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou queda de 9,6% na receita líquida no segundo trimestre, totalizando R$ 4,2 bilhões. O prejuízo líquido consolidado foi de R$ 252 milhões, um aumento de 16,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A recuperação extrajudicial da companhia afetou a disponibilidade de produtos nas lojas.

As vendas totais caíram 7% em relação ao segundo trimestre de 2024. A queda reflete a descontinuação do formato “aliados”, modelo de venda direta para pequenos comércios, e o reequilíbrio das vendas no e-commerce, que passou a focar em canais próprios. Desconsiderando o impacto do portfólio de lojas e o efeito calendário, a retração nas vendas foi de 0,8%.

A recuperação extrajudicial, anunciada em março, provocou um “aumento temporário dos níveis de ruptura” no abastecimento. Alguns produtos tiveram o fornecimento afetado, o que gerou retração nas vendas. O problema atingiu o pico em maio e apresentou melhora gradual a partir de junho.

As vendas em mesmas lojas caíram 1,2% nas unidades do Pão de Açúcar. O resultado foi impactado pelos níveis de ruptura e pela deflação na categoria de mercearia básica. A categoria de perecíveis teve bom desempenho no período. No Extra Mercado, houve alta de 0,4% nas vendas em mesmas lojas, impulsionada por ações promocionais entre maio e junho.

No segmento de lojas de bairro, que inclui as bandeiras Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra, as vendas caíram 2,3%. Esse segmento foi o mais afetado pela recuperação extrajudicial, com maior elevação da ruptura e consumo mais pressionado. As vendas do e-commerce caíram 16,2%, somando R$ 504 milhões, mas a companhia afirma que a operação melhorou a rentabilidade.

O Ebitda ajustado foi de R$ 450 milhões, alta de 7,3% no trimestre. A companhia apresentou uma simulação das contas caso o plano de recuperação seja aprovado. Nesse cenário, a dívida líquida cairia de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão, uma redução de 68%. A alavancagem recuaria de 3,9x para 1,3x.

O CEO Alexandre Santoro afirmou que, com a homologação judicial, o prazo médio das dívidas deve passar de 2,1 anos para 6,4 anos. Os pagamentos até 2028 devem cair de R$ 5,2 bilhões para aproximadamente R$ 400 milhões.

A companhia apresentou uma nova versão do plano de recuperação extrajudicial com apoio de 57,5% dos créditos sujeitos. Até 13 de julho, 97% dos credores já haviam escolhido uma das alternativas de recebimento. A expectativa é que a Justiça homologue o plano no terceiro trimestre.

A Ernst & Young apontou prejuízo líquido de R$ 1,68 bilhão no primeiro semestre e déficit de R$ 4,1 bilhões em capital circulante líquido. A companhia teve R$ 4,39 bilhões em recursos de giro contra R$ 8,5 bilhões em obrigações de curto prazo. Os auditores indicaram incerteza relevante quanto à capacidade de continuidade operacional, mas avaliam que a homologação da reestruturação pode resolver a liquidez de curto prazo.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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