JR Notícias»Notícias»Brasileiros presos na Islândia há 2 semanas após ato contra caça de baleias

Brasileiros presos na Islândia há 2 semanas após ato contra caça de baleias

Brasileiros presos na Islândia há 2 semanas após ato contra caça de baleias

Quatro brasileiros estão detidos na Islândia desde o dia 30 de julho por participarem de uma ação contra a caça comercial de baleias. Rui Amorim, 52, Vitor Young, 32, Victor Calixto, 23, e Lucas Barbosa, 28 fazem parte da campanha internacional Operation 86, organizada pela Captain Paul Watson Foundation.

O grupo, formado por 21 ativistas de 11 países, partiu em junho para monitorar a atividade de caça no país nórdico. De acordo com a Sea Shepherd Brasil, os ativistas interceptaram uma embarcação da única empresa da Islândia que ainda vende carne de baleia. As autoridades locais teriam prendido os tripulantes em águas internacionais.

A advogada da Sea Shepherd Brasil, Fernanda Perregil, afirmou que a organização pediu interferência do governo brasileiro para tratar do caso com o governo islandês. Ela disse que os ofícios foram respondidos, mas que a situação segue apenas sendo acompanhada. Os demais tripulantes da embarcação já foram liberados.

Os quatro brasileiros estão entre os últimos a serem soltos, junto com duas pessoas da Austrália. A ONG critica o que considera demora e omissão do governo Lula (PT) no diálogo diplomático. O Itamaraty negou falta de atenção ao caso e informou que, por meio da Embaixada do Brasil em Oslo, mantém contato com as autoridades islandesas e presta assistência consular.

A Sea Shepherd Brasil protocolou no STJ um mandado de segurança com pedido de liminar para garantir o retorno dos detidos. Não há previsão de deportação. Os brasileiros tiveram celulares e outros materiais apreendidos e estão hospedados no barco Bandero, usado no monitoramento da caça. Eles precisam se apresentar às autoridades islandesas ao menos uma vez por dia.

Perregil destacou que a grande questão é a omissão interna do Itamaraty e do Ministério das Relações Exteriores, responsáveis por casos de detenção de cidadãos brasileiros. Cristiane Dornelas, esposa do médico de bordo Rui Amorim, disse que a comunicação está difícil e que a demora aumenta a angústia de amigos e familiares. Ela cobrou uma posição mais efetiva das autoridades brasileiras.

No mundo, apenas Japão, Noruega e Islândia ainda permitem a captura de baleias. Os dois países nórdicos fazem parte da Comissão Baleeira Internacional, que proíbe a prática desde 1986. A baleia-de-minke é o principal alvo na Noruega e na Islândia, que também caça a baleia-fin, o segundo maior animal do planeta. A carne é vendida na Ásia.

O Japão deixou a comissão em 2019 e segue com a caça em suas águas nacionais. O ativista Paul Watson publicou apoio aos detidos e afirmou que a guarda costeira da Islândia agiu como agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. Ele disse que o país não quer dar visibilidade às operações baleeiras de Kristján Loftsson, que agem em desrespeito à moratória internacional.

Watson ficou detido na Groenlândia em 2024 por cinco meses, por invasão a um navio de caça japonês em 2010. A Dinamarca rejeitou o pedido de extradição feito pelo Japão. Ele afirmou estar confiante de que o navio Bandero será devolvido e que não há justificativa legal para a retenção.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →
Biblioteca de artigos