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Tesouro, CDB ou Poupança: R$ 50 mil rende mais onde?

O lançamento do Tesouro Reserva chamou a atenção de investidores e agentes financeiros. O novo título público do Tesouro Direto reúne características importantes para uma reserva de emergência. Ele funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, permitindo resgate a qualquer momento. O retorno acompanha 100% da taxa Selic. É a opção com garantia do Tesouro Nacional e não tem oscilação de preço ou taxa, servindo para qualquer perfil de investidor.

Embora inovador como título público, o Tesouro Reserva não é pioneiro em todas essas características. O resgate 24 horas já existe em alguns CDBs de bancos e na Poupança. O retorno de 100% da Selic é próximo ao que os CDBs oferecem atrelados ao CDI. A ausência de oscilação de preço e taxa também está presente nos CDBs e na Poupança.

Para entender as diferenças, é necessário analisar os detalhes de cada produto e fazer simulações. Uma simulação para R$ 50 mil aplicados por um ano mostra os seguintes resultados: Tesouro Reserva teria rentabilidade líquida de 12,15% e total de R$ 56.070; CDB com 100% do CDI teria 12,30% e total de R$ 56.163; Poupança teria 6,17% e total de R$ 53.085. As projeções consideram a taxa Selic constante em 14,5% ao ano, segundo a XP Investimentos.

Considerando um CDB que rende 100% do CDI, praticamente não há diferença em relação ao retorno do Tesouro Reserva. O CDI acompanha os juros da Selic, com diferença de casas decimais. Para uma aplicação de R$ 50 mil, os custos mudam. O Tesouro Selic e o Tesouro Reserva têm isenção de taxa de custódia para aplicações de até R$ 10 mil. Para valores maiores, a taxa é de 0,20% ao ano, custo que os CDBs não têm. A diferença ainda é pequena, de menos de R$ 100 por ano, mas tende a aumentar com o tempo.

A diferença maior está no retorno da Poupança, que perde R$ 3 mil em um ano. Mesmo com a cobrança de Imposto de Renda sobre o retorno do CDB e do Tesouro Reserva, a rentabilidade da Poupança, isenta de IR, fica em desvantagem. A alíquota de IR aplicada na simulação é de 15% sobre o rendimento, válida para aplicações acima de dois anos.

Para uma aplicação menor, de R$ 5 mil em um ano, a diferença entre Tesouro Reserva e CDB desaparece. Ambos teriam rentabilidade líquida de 12,30% e total de R$ 5.616. Como o valor está abaixo do limite de R$ 10 mil, a taxa de custódia não é cobrada. A Poupança continua atrás, com R$ 5.308 no total, cerca de R$ 300 a menos no ano.

A Poupança possui uma “data de aniversário” que marca a liberação do retorno, geralmente 30 dias após o depósito. Se o recurso for retirado antes dessa data, não há crédito de rendimentos naquele período. Nos demais produtos, a remuneração é proporcional ao tempo de aplicação, contabilizando todos os dias úteis.

Onde o Tesouro Reserva muda o jogo

Se o rendimento do Tesouro Reserva e do CDB são equivalentes, a atenção ao título público está nos fundamentos. O Tesouro Reserva mantém a lógica do Tesouro Selic, acompanhando a taxa básica de juros, mas elimina o ruído do horário de resgate. Ao permitir liquidez 24 horas, ele rompe com a lógica de janela bancária. Embora existam CDBs 24 horas, a maior parte dos títulos oferece resgates no mesmo dia ou no dia útil seguinte, dentro do horário comercial.

Outro ponto é o risco. O Tesouro Reserva tem a garantia de pagamento do Tesouro Nacional, considerado o menor risco de crédito da economia brasileira. No CDB, o risco está associado ao banco emissor. Grandes bancos oferecem pouco risco, enquanto bancos médios são mais arriscados. O certificado tem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição.

Atualmente, o Tesouro Reserva está restrito à distribuição pelo Banco do Brasil. Somente clientes com conta no banco estatal conseguem comprar. O Tesouro Nacional afirmou que pretende levar o título para mais instituições financeiras nos próximos meses. Os CDBs seguem como opção interessante para a reserva de emergência.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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