Carlos Lampe, goleiro da seleção boliviana, está perto de realizar um sonho inédito: levar seu país à Copa do Mundo. Aos 39 anos, ele vive a expectativa da repescagem.
“Todos estão com muitas expectativas. Minha esposa e minha filha virão (para o México). Uma das minhas filhas, porque as outras vão ficar. A verdade é que todos estão com expectativas, com muita animação de cumprir esse sonho. Vamos tentar fazer com que isso seja possível”, disse Lampe.
Ele é um goleiro histórico do futebol boliviano. Com quatro participações na Copa América e 64 partidas pela seleção, é o goleiro com mais jogos pelo país. Também tem 48 partidas de Libertadores.
Segundo ele, nada disso equivale à chance de levar a Bolívia de volta à Copa do Mundo após 32 anos de espera. Suriname e Iraque são os adversários na repescagem.
Nos últimos anos, Lampe enfrentou times brasileiros na Libertadores pelo Bolívar. Ele brinca que o clube teve azar nos sorteios, sempre encontrando equipes do Brasil.
“O Bolívar tem uma linda equipe, jogamos de igual para igual com Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, Internacional, Athletico-PR”, comentou. “Creio que o jogo que fomos mais difíceis de derrotar foi contra o Flamengo em 2024”.
Lampe destacou a dificuldade de enfrentar as melhores equipes brasileiras. “São times com elencos europeus. É muito difícil jogar contra eles”, afirmou.
O goleiro também não esconde o fator altitude. Ele explicou que o Bolívar busca explorar os mais de 3.600 metros de La Paz com um futebol agressivo e rápido.
“A verdade é que com o Bolívar levamos vantagem porque somos uma equipe agressiva. Nesses últimos anos só perdemos um jogo em La Paz, contra o Internacional”, disse.
Sua vasta experiência no futebol sul-americano pode ser uma ajuda contra os adversários da repescagem. Lampe aposta na paixão do continente e no apoio dos torcedores bolivianos.
“Nós, tirando um jogador, somos todos bolivianos, amamos nosso país. Vivemos o futebol, seguramente, muito diferente, porque na América do Sul você sabe que há muita paixão”, declarou.
Sobre o Suriname, o goleiro prega atenção. “Vejo muito equilíbrio. Porque eles também estão nacionalizando jogadores de primeiro nível. Acredito que para nós, a chave é o primeiro jogo”.
Se a Bolívia passar, pode contar com um nome conhecido: Marcelo Moreno. O atacante saiu da aposentadoria e trabalha para retornar à seleção.
“Conheço o Marcelo, conheço a disciplina dele como jogador, ele é um jogador histórico da seleção”, disse Lampe. “Acho que um dos motivos pelo qual o Marcelo voltou é justamente esse”.
O técnico Óscar Villegas é apontado como um símbolo do resgate da equipe. Após assumir em 2024, ele levou a seleção a três vitórias seguidas.
A vaga na repescagem foi confirmada com uma vitória histórica sobre o Brasil, momento que emocionou Lampe. Ele destaca a mudança de ambiente com a chegada do novo técnico.
“Pudemos ganhar no Chile, em uma Data Fifa muito importante. Depois veio o Óscar, em seis rodadas estávamos praticamente eliminados. Acho que mudou um pouco o ambiente”, avaliou.
Se disputar uma Copa do Mundo nem passava pela cabeça do menino que era em 1994, hoje o pensamento do veterano é único: repetir o feito da geração anterior.
“A única coisa que passa em minha cabeça é fechar uma etapa na seleção jogando um Mundial. Acredito que fazer história de verdade, é isso que passa em minha cabeça”, finalizou Carlos Lampe.
A repescagem para a Copa do Mundo de 2026 coloca a Bolívia diante de um caminho difícil, mas possível. A experiência de jogadores como Lampe é vista como um trunfo para a equipe, que tenta superar uma longa ausência do maior torneio do futebol mundial. O sonho de classificação mobiliza não apenas o elenco, mas toda uma nação que espera há três décadas por essa chance.
