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Foz do Iguaçu é o novo epicentro do contrabando de canetas emagrecedoras

Foz do Iguaçu é o novo epicentro do contrabando de canetas emagrecedoras

Os medicamentos emagrecedores se tornaram o novo alvo do contrabando que entra pela fronteira de Foz do Iguaçu (PR). O aumento das apreensões de canetas e ampolas superou o crescimento registrado para produtos como cigarros e celulares.

Dados da Alfândega da Receita Federal de Foz do Iguaçu mostram que as apreensões desse tipo de mercadoria cresceram cerca de 1.000% em um ano. De janeiro a maio de 2025, foram apreendidas 7.479 unidades. No mesmo período de 2026, o total subiu para 79.837 unidades.

As canetas são compradas no Paraguai por um preço 69% menor, o que estimula a entrada ilegal no Brasil. As apreensões diárias aumentaram depois que a Anvisa proibiu a entrada de algumas marcas do medicamento adquiridas no Paraguai.

O chefe da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Cezar Vianna, afirmou que a fiscalização está mais focada em ônibus fretados com histórico de ocorrências. “Estou aqui há mais de 20 anos e este incremento de 1.000% nas apreensões em um ano é totalmente atípico”, disse.

A maioria dos medicamentos que chega ao Brasil são ampolas com princípios ativos para uso com as canetas. Por serem pequenas, elas são escondidas em bolsos, capacetes e até em paredes de caixas térmicas, onde cabem até 500 unidades.

Os contrabandistas usam diversos veículos para transportar o produto. Já foram encontradas ampolas dentro de potes de doce de leite argentino, em compartimentos atrás de banheiros e em dutos de ar-condicionado de ônibus. Também são usados carros de luxo, como Land Rover, BMW e Mercedes, com fundos falsos.

O interesse não é só de redes de contrabando. Famílias que viajam para Foz do Iguaçu e cruzam a fronteira para o Paraguai trazem os remédios nos próprios veículos para vender ou usar. Brasileiros que estudam Medicina no Paraguai também levam o produto diariamente, e o dinheiro é usado para pagar as mensalidades dos cursos.

Há ainda os “laranjas”, que passam pela Ponte da Amizade a pé ou de moto para deixar o produto em pontos específicos ou estacionamentos. Um carregamento de 50 ampolas vale cerca de R$ 9 mil, mas o preço pode dobrar ao chegar ao Brasil.

O transporte não segue normas sanitárias. O medicamento precisa de controle térmico para não perder a eficácia, mas no contrabando essa preocupação não existe. A Receita Federal calcula que apreende cerca de 5% do volume de contrabando que passa pela fronteira.

Os medicamentos retidos são armazenados na Alfândega de Foz do Iguaçu até o fim do processo administrativo. Depois, são levados para Goiás, onde são destruídos.

A proibição da entrada dos remédios no Brasil também gerou uma rede clandestina de fabricação. Em março, donos de farmácias e depósitos em Ciudad del Este pediram proteção policial contra roubos de quadrilhas especializadas.

Em maio, a Dinavisa, do Paraguai, alertou sobre medicamentos como Veltrane, Tirzepatide, Thera Tirzepatide, Tirzepatite Injection e Tirzegen, que não têm registro e podem ter substâncias prejudiciais à saúde. O órgão disse que não há informações precisas sobre dosagem e preparo dos produtos.

Segundo a Anvisa, nenhum medicamento registrado em outros países pode ser vendido no Brasil, e medicamentos autorizados no Brasil não podem circular em outros países. A Anvisa já suspendeu importações de vários medicamentos e emitiu resoluções sobre canetas falsificadas.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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