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Fim do maior time da China

O Guangzhou FC, fundado em 1954, era o maior time da China mas desapareceu após uma série de eventos. Heptacampeão chinês consecutivo, o clube viveu seu auge na década de 2010, com contratações de peso como Felipão, Paulinho e Conca. Suas portas foram fechadas após a falência da empresa bilionária Evergrande.

Em entrevista, o técnico Luiz Felipe Scolari (Felipão) relembrou o período. “Quando a crise aconteceu na Evergrande, o clube foi muito impactado. Foi uma queda muito grande”, disse. Ele completou: “Fico bastante triste, mas foi uma época muito bem vivida. Era incrível. Fico triste pelo que aconteceu com o Guangzhou, mas alegre por ter participado disso tudo”.

Com o apelido de “Tigres do Sul da China”, a equipe surgiu como uma representação do governo local. O clube só se tornou profissional 39 anos após sua fundação, vivendo anos alternando entre promoções e rebaixamentos. A situação piorou em fevereiro de 2010, quando o Guangzhou foi rebaixado à segunda divisão como punição por um esquema de manipulação de resultados em 2006.

Após uma reformulação administrativa, com dirigentes presos, o clube foi colocado à venda. Foi quando surgiu a Evergrande, uma gigante do setor imobiliário. A empresa comprou o clube por 100 milhões de yuans e o rebatizou como Guangzhou Evergrande.

O fundador da empresa, Xu Jiayin, se tornou o principal gestor dos investimentos. Sob seu comando, a Evergrande acumulou uma enorme fortuna, impulsionada pelo boom imobiliário chinês. Felipão destacou o apoio financeiro: “Tinha um aporte financeiro muito bom. Eles estavam preocupados em desenvolver o futebol chinês”.

Com esse poderio, o time passou a ser chamado de “Chelsea da Ásia”. A reformulação começou com contratações na segunda divisão, incluindo o brasileiro Muriqui. O atacante contou que inicialmente hesitou: “Eles apresentaram o projeto, estavam dispostos a investir, mas admitiram que estavam com dificuldades para contratar”.

O clube foi campeão da segunda divisão em 2010 e retornou à elite. Nos anos seguintes, investiu pesado em jogadores, muitos com passagem pelo Brasil, como Conca, Lucas Barrios, Paulinho, Elkeson, Alan, Aloísio, Talisca e Ricardo Goulart. Paulinho, por exemplo, foi contratado do Tottenham e até foi emprestado ao Barcelona durante seu vínculo.

Além dos jogadores, o Guangzhou também contratou treinadores renomados: os campeões mundiais Luiz Felipe Scolari, Marcello Lippi e Fabio Cannavaro. O resultado foi uma era de conquistas: oito títulos chineses, duas Champions da Ásia, duas Copas da China e quatro Supercopas. Felipão se tornou o técnico mais vencedor da história do clube.

Em 2020, um projeto ambicioso foi anunciado: a construção de um estádio para 100 mil pessoas em formato de flor de lótus, com custo estimado de 12 bilhões de yuans. A arena seria uma referência mundial. Entretanto, a Evergrande, que teve um crescimento exponencial baseado em dívidas, enfrentou uma crise de insolvência. O modelo de negócios, dependente de empréstimos com juros altos, se tornou insustentável.

A crise da empresa-mãe afetou diretamente o clube, que não conseguiu mais manter sua estrutura de altos investimentos. Sem o suporte financeiro da Evergrande, o Guangzhou FC, outrora uma potência, foi levado ao desaparecimento, marcando o fim abrupto de uma das equipes mais dominantes do futebol asiático.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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